O bordado e a auto empatia

10 de julho de 2019

Às vezes, quando estou passando por algum evento desafiador na minha vida ou nos meus relacionamentos, a imagem que me vem à mente é que estou bordando um daqueles bordados de ponto cruz, onde vou ponto a ponto vendo como está ficando o desenho do lado direito, e ao mesmo tempo, me preocupo com o avesso, pois quero que fique caprichado nos dois lados. Uma arte, não é mesmo?

Tenho cuidado de viver meus desafios extraindo sentidos que me enriqueçam e me tragam sabedoria. Tenho procurado cultivar a auto empatia.

Aqui estão alguns recursos que fui aprendendo com a prática da Comunicação Não-Violenta comigo mesma, com abordagens como a mediação de conflitos e algumas práticas espiritualistas que trazem a compassividade como tema.

  • Sou apoiada quando entro em contato e consigo validar as minhas necessidades e as necessidades do outro.
  • Sou apoiada quando ouço a voz do meu “eu gentil”, normalizando alguns equívocos e dificuldades, meus e ou do outro e ou do sistema.
  • Também, quando consigo pedir ajuda para minha rede de apoio, minha família e parceiras empáticas. O que mais preciso nessa hora, é de apoio para dar sustentação aos meus sentimentos e de minhas necessidades verdadeiras. Preciso ser ouvida, preciso da presença do outro. Não preciso de conselhos, nem de solução, nem de opinião.
  • Sou apoiada ao perceber-me vulnerável e humana, com aceitação desta condição.
  • Consigo apoio ao me acolher e abraçar a minha dor e ao colocar meus sentimentos no colo, integrá-los e olhar com carinho e respeito para eles.
  • Às vezes, preciso de recolhimento, silêncio e pausa.
  • Outras vezes, preciso expressar-me.
  • Muitas das vezes, para mim é importante elaborar o luto, aceitar as perdas, entendendo que a vida é feita de ganhos e perdas; celebração e luto.
  • Conectar-me com as artes me ajuda, na forma de poesia, música, cinema, literatura, artes plásticas, pois tudo isso alimenta minha alma e me põe mais aberta e criativa.

Outra coisa que para mim é importante é o que chamo de auto responsabilidade. Por isso o capricho no bordado, ele representa na minha metáfora mental, que quero cuidar do meu processo interno com acolhimento e empatia e quero cuidar também de minha interação respeitosa e cuidadosa com o que está ao meu redor.

Não estou dizendo que sempre consigo que meu bordado fique harmonioso, mas digo aqui que esta é a minha intenção e que tem relação com meus valores humanos. Busco esse caminho, pois para mim esse é o sentido do amor como atitude.

Sigo olhando para meu bordado, de um lado e de outro, direito e avesso, com cuidado, procurando cultivar a calma, fazer processo, para que o resultado me agrade e eu atenda minha necessidade de auto realização, satisfação e aprendizado e desta forma eu possa contribuir com o melhor de mim para a comunidade.

​Por Lucia Nabão
Psicóloga, Mediadora de Conflitos e Facilitadora de Processos em Comunicação Não-Violenta

Lucia Nabão

Tem diversas formações nacionais e internacionais em Psicologia, Mediação de Conflitos, Círculos de Construção de Diálogo, Formação Holística de Base na Universidade da Paz. Atua como Psicóloga, Facilitadora em CNV e Anfitriã de Grupos Estudo e Prática de CNV em Ribeirão Preto e São Paulo. A integração de sua vivência prática e de todos os conhecimentos adquiridos a fazem uma profunda conhecedora da alma humana o que lhe confere grande prestígio em suas áreas de atuação.

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