Essa tal de empatia

Considero a comunicação uma das habilidades mais importantes que temos na vida e em algumas circunstâncias ela pode nos servir de ponte que une ou de muro que separa.

Me recordo de momentos que me senti mal por não ter sido compreendida ou por alguém sentir-se assim por eu não ter sabido me expressar. E essa inabilidade em muitos casos trouxe o desgaste as minhas relação e consequentemente a um afastamento. Porém, nos casos em que a comunicação foi fluida, a sensação era de conexão e o sentimento de bem-estar.

Eu me perguntava qual seria o ponto de conexão entre as pessoas?

Curiosa por responder essa pergunta fui em busca de teorias e acabei chegando na tal da escuta empática, que para alguns é a capacidade psicológica de compreender o sentimento ou emoção de outra pessoa por trás das palavras.

Num primeiro momento ao ler essa explicação do que é uma escuta empática, tive a impressão de já praticá-la, mas ao investigar mais a fundo e principalmente após conhecer e passar a praticar a Comunicação Não-Violenta pude reconhecer que infelizmente era bem difícil me colocar no lugar de outra pessoa e entender o mundo como ela via. Até porque, geralmente eu estava muito ocupada com as conversas dentro da minha cabeça, minha tendência era interpretar as coisas segundo minha própria experiência e achar que as pessoas pensavam ou deveriam pensar e sentir como eu.

Isso acabava por me levar aquele velho lugar conhecido de quem está com a razão, do certo e errado, do bom e do mau, feio e bonito, pois afinal fomos educados a interpretar a realidade dessa forma, assumindo que a maneira como vemos as coisas equivale ao modo como elas realmente são ou deveriam ser e ponto. E então fazia-se o muro entre mim e o outro.

Lembro de quando exercitei a escuta empática pela primeira vez num curso de CNV e os facilitadores disseram: “Você vai escutar em silêncio o que o outro tem a dizer, sem dar conselhos, falar de si, fazer perguntas, corrigir ou criticar, apenas mantenha-se presente, com atenção e curiosidade. Busque se conectar-se aos sentimentos e necessidades do outro, enquanto se observa como ouvinte.”

A princípio parecia algo simples, mas durante o exercício percebi que saí da minha zona de conforto, fiquei tensa, queria ouvir e compreender cada palavra que o outro me dizia e quando me identificava com alguma parte da história, minha cabeça logo me levava para outro lugar.

Mas com o tempo fui aprendendo a relaxar, a não querer controlar meus pensamentos e fui percebendo o que de fato era estar presente e observar. Quanto mais eu me conectava com os sentimentos e necessidades da outra pessoa, quanto mais caminhava com ela para compreender o seu mundo, sua história, suas escolhas, mesmo que eu não concordasse com elas, abria-se uma oportunidade de conexão entre nós.

Essa capacidade de escutar e sermos empáticos me faz lembrar Alberto Caeiro quando diz:

“Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.” Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.”

A prática também me ajudou a desassociar a imagem de empatia com ser “boazinha”, simpática ou ter de sempre concordar com o outro, pois compreendi que antes era preciso reconhecer e me responsabilizar pelos meus próprios sentimentos e necessidades, cultivando autonomia para escolher de forma consciente o que fazer, sem culpar, julgar ou criticar o outro.

Acredito que escutar com empática nos possibilita uma mudança de postura, um olhar mais distanciado diante das situações e abre um espaço de curiosidade que pode gerar uma vontade genuína de agir de forma diferente, melhorando assim a qualidade de nossos relacionamentos.

Me arrisco a dizer que esse caminho que a Comunicação Não-Violenta nos propõe é longo e contínuo, mas encurta a distância entre as pessoas, cria conexões e nos tira do modo automático e reativo nos para uma mudança de comportamento. Para quem está disposto a ser a mudança que quer ver no mundo, creio que esse é um bom caminho.

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