Os 3 pilares da Comunicação Não-Violenta

3 de abril de 2019

CNV

Como sabemos a Comunicação Não-Violenta não é apenas uma metodologia de comunicação para transformar conflitos, ela é uma consciência e uma intenção de uma validação para aquilo que é importante para cada ser humano. Assim, as minhas necessidades de pertencimento, apoio, respeito e sentido são tão importantes como as suas necessidades de espaço, sentido, clareza e segurança. No diálogo empático, honesto e respeitoso, vamos buscar um caminho para que as minhas e as suas necessidades fiquem atendidas.

Para que esse diálogo aconteça e produza essa conexão é que o embasamos na empatia, auto empatia e autenticidade.

Entendo Empatia por um movimento de olhar para a experiência do outro a partir do universo dele. É oferecer presença na escuta, não para concordar ou discordar, nem para buscar soluções ou aconselhar, mas sim para compreender os sentimentos e necessidades do outro.
É uma habilidade, que pode ser desenvolvida, de compreender o significado da experiência que uma outra pessoa está vivenciando e legitimar essa experiência. Demanda um aquietar de nossas conversas internas, prontas, condicionadas, para abrirmos o espaço curioso e interessado da escuta do outro.

Numa metáfora, é entrar dentro da casa da pessoa que estamos ouvindo, olhar o que ela tem na pendurado na parede, como ela arruma sua sala, o que ela come, qual é sua tradição religiosa, que músicas ela ouve, qual sua cultura familiar, quais são suas experiências, crenças, realidades. E daí, quando conhecemos mais do mundo de dentro dessa pessoa fica mais fácil a compreendermos e validarmos seus sentimentos e necessidades. E também, fica muito provável que a conexão entre as pessoas flua a contento.

Auto empatia ou autocompaixão, de onde vejo, é a capacidade, que também pode ser desenvolvida, de oferecermos apoio e suporte para nós mesmos, antes de qualquer julgamento ou avaliação. É validarmos nossa experiência a nível dos sentimentos que estamos convivendo e das necessidades que eles indicam que estão querendo ser atendidas. É um ato de gentileza e de amizade internos. Faz um contraponto com hábitos de cobrança e exigência ou de ideal de eu – o narcisismo, que nos momentos de dor e fracasso não nos apoiam.

Se a experiência do viver é, muitas vezes, difícil para cada um de nós, fazer nascer esse amigo interno e gentil para nos ajudar, pode cuidar de seguirmos apoiados internamente nos momentos difíceis da vida.

Autenticidade, do meu ponto de vista, é uma expressão daquilo que é verdadeiro e legítimo em nós. Tem a ver com a nossa constituição humana, que podemos acessar e aceitar. Está relacionada com o reconhecimento de que somos ao mesmo tempo construtivos e destrutivos, bons e nem tanto.

A minha honestidade e autenticidade abre espaço para minha singularidade, embora mantendo minha conexão com o humano em todos nós.

Gandhi associou a verdade (Satya) com firmeza (Agraha), pois entendia que a expressão da nossa verdade essencial e clara demanda uma atitude firme e constante e também um trabalho individual de autoconsciência que praticamos por toda a vida. Seu movimento de libertação da Índia do domínio da Inglaterra ficou conhecido como a “Força da Alma”, Satyagraha.

A autenticidade pode ser cuidadosa e respeitosa, é uma força corajosa e não-violenta que trazemos na nossa comunicação, para falar do que sentimos e necessitamos.

Por Lucia Nabão
Psicóloga, Mediadora de Conflitos e Facilitadora de Processos em Comunicação Não-Violenta

Lucia Nabão

Tem diversas formações nacionais e internacionais em Psicologia, Mediação de Conflitos, Círculos de Construção de Diálogo, Formação Holística de Base na Universidade da Paz. Atua como Psicóloga, Facilitadora em CNV e Anfitriã de Grupos Estudo e Prática de CNV em Ribeirão Preto e São Paulo. A integração de sua vivência prática e de todos os conhecimentos adquiridos a fazem uma profunda conhecedora da alma humana o que lhe confere grande prestígio em suas áreas de atuação.

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